Quênia também é notícia na ZH

Educação é a garantia de futuro para o Quênia e a África em geral

Os primeiros passos rumo à democracia
Aos poucos, alguns países do continente deixam de ser regimes autoritários e dão voz ao povo

Na semana passada, os quenianos aprovaram uma nova Constituição que promete mudar profundamente o funcionamento da política do país. Assim como grande parte da África, conhecida pelas longas e sanguinárias ditaduras, o Quênia era dominado pela corrupção e por regimes que se perpetuavam no poder. Agora, o presidente terá poderes mais limitados, e os cidadãos, mais liberdade.

A recente conquista queniana, porém, não ocorreu sem cobrar seu preço. O desejo da população por democracia resultou em uma onda de violência com mais de 1,3 mil mortos em 2007, quando o presidente Mwai Kibaki não aceitou a derrota nas urnas – em um pleito histórico – e continuou no poder, gerando uma revolta popular. Nas próximas eleições, segundo a nova Constituição, ele nem sequer poderá concorrer à reeleição.

– Finalmente, os quenianos decidiram que a velha ordem tem de virar história. A era da presidência imperial e da ditadura parlamentar deve ser deixada para trás agora. Sinto apenas alegria pelo meu país – comemora o queniano Jerry Okungu, em artigo no site The New Vision.

É assim, aos tropeços, que a África – já tida como um caso perdido – tem vivido uma onda democrática. E não é somente o referendo constitucional no Quênia – no mesmo continente onde antes predominavam os golpes de Estado, agora são as eleições que estão se tornando comuns, dando ao povo a voz que por tanto tempo lhe foi negada.

KENYA vota sim no referendo constitucional


Kibaki ao assumir o poder em 2002 prometeu uma constituicao em 100 dias, mas quando finalmente proposta em 2005 foi rejeitada. Ocorrendo em 4/8 ultima mais um referendo constitucional.
A aprovacáo constitucional , que esta liderando a votaçao, representaria a 1ª vitoria do governo de coalizão.
Em nossa estada vivenciamos a movimentaçao política as vésperas do referendo consitucional que entre outras garantias civis devem reduzir os poderes presidenciais desta jovem república. Acompanhamos diariamente as manchetes do “The Nation” com as manifestacoes do ex-presidente Moi de oposicao a nova constituicao cuja reforma agrária afetaria aqueles privilegiados em seu longo regime. A maioria dos 12,5 milhoes de eleitores votou pelo SIM á reforma constitucional no referendo constitucional de 4/8, alguns dias após nossa partida.
As forças conservadoras e latifundiários dos “vermelhos” pregavam o “não” , enquanto os “verdes” representados pelos estudantes e setor privado apoiavam o “sim”, acreditando que uma nova regulamentacao constitucional proporcionaria maior paz e estabilidade possibilitando atrair de volta os investimentos estrangeiros.
Havia receios que se repetisse a onda de violencia que seguiram as questionadas eleiçoes de 2007 que duraram 2 meses deixando mais de mil mortos e dezenas de milhares de desabrigados – comunidades inteiras expulsas de terras as quais não etnicamente pertenciam. Conflitos tribais, incitados por questoes politicas e economicas, inexistentes ate entao no pais.

Hector Peterson, símbolo da luta pelo fim da segregaçao racial.

Seguimos depois para Soweto – área residencial negra no período do aparthaid onde começou em 1976 o levante estudantil que levaria 15 anos depois a queda do regime racista Sul Africano.
Visitamos o Hector Peterson memorial & museum – que registra as manifestacoes estudantis no dia 16 de junho de 1976 contra a implantacao do africaans como idioma academico que foi duramente reprimida e entre os mortos um jovem de 13 anos – Hector Peterson, que virou símbolo da luta pelo fim da segregaçao racial.

02/8 Day 09: Johanesburg

Depois de uma semana acordando antes do amanhecer para aproveitar os safaris com o sol nascente, hoje aproveitamos para dormir ate mais tarde.
As 10h fomos visitar o Soccer City – o estádio de futebol de Johanesburgh onde aconteceram os jogos de abertura e encerramento da copa. Conseguimos fazer uma visita guiada privativa percorrendo os camarotes vips, os vestiários dos jogadores, o tunel de ingresso e ate o gramado.

Day 07: 01 August 2010, Day of Departure

Nossa partida de Masai Mara foi mais um “game drive” avistando pela ultima vez os animais que aprendemos a identificar a distancia e nos detalhes nos ultimos dias. Passamos por pastores Masai conduzindo com seus bastões rebanhos de zebu, com os raios de sol matinal reluzindo a pele negra com amplo e alvo sorriso. A sobriedade e monotonia das choupanas de barro de seus povoados contrasta com a colorida estética Masai – sobreposiçao de panos em tons de lilás e vermelho, a cor da proteçao, e adereços multicoloridos. Os homens Masai se adornam com brincos que alongam o lóbulo das orelhas além de pulseiras e tornozeleiras. As mulheres além desses adereços utilizam colares sobrepostos de misangas policromáticas. Uma riqueza de cor nos detalhes. A cabeça raspada das mulheres definem seu status de casada, e os garotos com “treds” simbolizam já terem passados pelos ritos de iniciaçao, que unem uma mesma geraçao. Os povoados , cercados por cercas de ramos de acacias espinhentas, são compostos por casas de adobe e esterco seco, com um circulo central tambem cercado para o gado zebu – base de sua economia. Um estilo de vida tradicional e em harmonia com seu entorno, ambos ainda preservados neste canto da África oriental.

Deixando o parque passamos por cidades com seu comercio fechado pois tratava-se de um domingo, quando a populacao deste pais de maioria cristã frequenta a igreja.
Finalmente chegamos na capital Nairobi e seu aeroporto internacional para embarque no SA185 as 16h40 em direcao a Johanesburgh onde chegamos as 20h00

congestionamento de gnus aguardando sinal verde para travessia do rio Mara

Em um movimento contínuo centenas de gnus enfileirados chegavam até a beira do barranco. Os primeiros da fila ensaiavam alguns passos em direçao ao rio e pressentindo o perigo recuavam amedontrados, dando lugar aos seguintes. A cena se repete por horas até que um gnu mais destemido desce o barranco e enfrenta as águas e os crocodilos sendo seguido pela manada.
Nesse dia só uma parte do grupo atravessou para a outra margem, pois quando outra parte recuou interrompeu o movimento em massa. Nova tentativa em outro ponto da margem mais adiante e novo recuo. A travessia para esses gnus ficaria postergarda para os proximos dias – quando crocodilos já saciados facilitariam a passagem. São essas cenas que vivenciamos que tem alimentado há decádas as fantasias de um “safari na África”.