Um novo Ano inicia – 1390!

No dia 21 de março os Persas comemoraram o Noruz – o ano novo – com a entrada da primavera do Hemisfério Norte.

Celebrado desde a época dos aquemênidas até hoje no Irã é utilizado o calendário solar zoroastra.

Comprei um calendário em Teheran pois é tudo diferente – hoje é o dia 2 do primeiro mês do ano de 1390 (adotado como ano zero a ida de Maomé de Mecca a Medina em 622, quando inicia a propagação do islã).

Feliz ano novo!

A vibração da juventude a conduzir para novos tempos

Sob o chador se esconde a alma persa

Sob o chador se esconde a alma persa

Seguem mais algumas poesias de Omar Khayyām para sua reflexão matinal. Sugiro deixar a parte etílica para o Happy Hour do final do dia. Incrível a atualidade dos pensamentos mil anos após terem sido escritos. Ainda mais interessante que Khayyam continua a ser reverenciado pelos iranianos apesar de seus temas de tolerancia religiosa e exaltando o prazer à vida. Sob o chador se esconde a alma Persa.  1 abraço e um Bom Dia!

O que vale mais? Meditar numa taverna,
ou prosternado na mesquita implorar o Céu?
Não sei se temos um Senhor,
nem que destino me reservou.

Olha com indulgência aqueles que se embriagam;
os teus defeitos não são menores.
Se queres paz e serenidade, lembra-te
da dor de tantos outros, e te julgarás feliz.

Alcorão, o livro supremo, pode ser lido às vezes,
mas ninguém se deleita sempre em suas páginas.
No copo de vinho está gravado um texto de adorável
sabedoria que a boca lê, a cada vez com mais delícia.

Cristãos, judeus, muçulmanos, rezam,
com medo do inferno; mas se realmente soubessem
dos segredos de Deus, não iam plantar
as mesquinhas sementes do medo e da súplica.
Um jardim florido, uma bela mulher, e vinho.
Eis o meu prazer e a minha amargura,
o meu paraíso e o meu inferno.
Mas quem sabe o que é Céu e o que é Inferno?

A vida passa. O que resta de Bagdad e Balk?
A aragem mais leve é fatal à rosa já desabrochada.
Bebe o vinho, e contempla a lua:
lembra-te das civilizações que ela já viu morrer

1 abraço. Beto

Reflexão persa para começar o dia

Foi bem legal a nossa apresentação ontem sobre o Irã no STB BRASAS. Peguei a idéia de nosso guia Alireza e declamei algumas poesias de Omar Khayyām que seguem abaixo:

Omar Khayyām – (Nishapur, Pérsia, 10481131), poeta, matemático e astrônomo iraniano.
Khayyām calculou como corrigir o calendário persa.
Como poeta é conhecido pelos Rubaiyat (em português, “quadras” ou “quartetos”), que ficariam famosos no Ocidente a partir da tradução de Edward Fitzgerald, em 1839.  Seguem alguns para refletirmos em como continuam atuais quase 1.000 anos depois.

Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.

Apanha um grande copo cheio de vinho,

senta-te ao luar, e pensa:

Talvez amanhã a lua me procure em vão.
Que pobre o coração que não sabe amar

e não conhece o delírio da paixão.

Se não amas, que sol pode te aquecer,

ou que lua te consolar?
Ouve o que a Sabedoria diz todos os dias:

A vida é breve.

Não te esqueças, não és como certas plantas

que rebrotam depois de cortadas

  • Somos os peões deste jogo do xadrez

que Deus trama. Ele nos move, lança-nos

uns contra os outros, nos desloca, e depois

nos recolhe, um a um, à Caixa do Nada.

bom dia! Beto

O refinamento e delicadeza da arte persa

A situação na Jordânia

Em fevereiro passamos uma semana na Jordânia, onde os tumultos na região refletiam localmente. Nosso guia reiterava que a situação no país era diferente, pois o rei Abdullah II tinha apoio popular. Enquanto desfrutávamos das belezas de Jerash, Petra e Wadi Rum acompanhávamos as discretas manifestações em Amman – sede do poder.  Confira abaixo matéria da ZH de hoje com a análise da situação na Jordânia pelo olhar de um gaúcho que está por lá.

Gaúchos no olho do furacão árabe. Uma densa atmosfera de contestação cobre o mundo árabe – e já levou à queda dos ditadores da Tunísia e do Egito. O mau tempo se concentra atualmente sobre a Líbia e ameaça o líder Muamar Kadafi. Chuvas e trovoadas são observadas com menor intensidade nos vizinhos Marrocos, Argélia, Jordânia e Bahrein. Em entrevista a Zero Hora, sete gaúchos, que estiveram ou permanecem nesses países, contam como está a situação e relatam o sentimento do povo em relação a seus líderes.

Beto em Wadi Rum

Egito pós-Mubarak

Partimos para o Oriente Médio no início de fevereiro, com a região já em pleno tumulto. Acompanhamos com apreensão via BBC o desenrolar das revoltas no Egito, país que havíamos visitado no detalhe em 2008,  que culminou com a queda de Mubarak .

Segue link de uma matéria do caderno cultura da ZH de ontem, que analisa a situação geral atual do país e de hoje sobre a questão específica do seu imenso legado arqueológico: http://bit.ly/g6xsEH

“O arqueólogo mais conhecido do Egito, Zahi Hawass, pediu na sexta-feira demissão do cargo de ministro de Antiguidades e afirmou que aumentaram os saques a sítios arqueológicos do país desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro. Segundo o especialista, mais de 20 sítios arqueológicos em todo o país foram saqueados desde a saída do ditador. Hawass exortou os jovens ativistas a ajudar na preservação desse patrimônio.”

Uma imagem que fica

Passamos 3 dias em Esphahan – a maior parte do tempo desfrutando desta praça projetada por Shah Abbas lá no início do século XVII e que continua nos encantando até hoje.  Fascina pelo conjunto harmonioso e riqueza dos detalhes. Os jardins e fontes circudandos por um bazar com o melhor da artesania local – tapetes, pinturas em miniaturas, machetaria, bandejas e lâmpadas em bronze…e se destacando palácio e mesquitas em cada lateral dessa praça magnífica.

Além disso tudo, a suavidade e simpatia do povo iraniano sempre com um sorriso ingênuo e sábio – uma experiência visual e afetiva inesquecível.

A praça de Esphahan é um local de se deixar ficar

Acordar em POA

Muito estranho acordar em casa depois de 30 noites no Oriente Médio casa alguns dias em local diferente. É super instigante mergulhar em outras culturas, idiomas, culinárias, cenários naturais e urbanos inusitados…mas como é também muito bom voltar ao familiar, conhecido, onde nos sentimos verdadeiramente em casa. Nada como o “lar doce lar” .

Passei a manhã desfazendo as malas, e a cada objeto, livro, folheto, presente, prato, tapete…tantas boas lembranças.  Acordei entre a Fenícia e a Pérsia, conversando com Zenobia e Ciro, filosofando com Zarastruta e sufis islâmicos, atravessando desertos ou simplesmente se deixando ficar na praça de Esphahan. Tantas imagens tão marcantes e tocantes. Muito bom se sentir lá e aqui!

Na sexta-feira, o dia livre e religioso semanal, as gurias aproveitam para colocar as notícias em dia