Genocídio Armenio

Hoje visitamos o museu do Genocídio com o registro dos horrores perpetrados pelos Otomanos contra o povo Armenio. Um resumo dessa triste história:

Após séculos de dominação persa e bizantina, o território da Armênia histórica se dividiu em meados do século XVI entre os impérios russo e otomano. Entre 1,7 e 2,3 milhões de armênios viviam no Império Otomano em 1915, segundo as estimativas dos historiadores ocidentais.

As autoridades otomanas acusaram os súditos armênios de deslealdade com o Império desde o nascimento, no fim do século XIX, de um movimento nacionalista que exigia a autonomia dos armênios.

Entre 100 mil e 300 mil armênios teriam sido massacrados em 1895-1896 durante o reinado do sultão Abdul Hamid II.

Em outubro de 1914, o Império Otomano entrou na Primeira Guerra Mundial, ao lado de Alemanha e Áustria-Hungria. Quando o Império sofreu grandes perdas nos combates que afetaram as províncias armênias, as autoridades responsabilizaram os armênios e lançaram uma campanha propagandística que os classificava de inimigo interno.

Em 24 de abril de 1915, milhares de armênios suspeitos de sentimentos nacionalistas hostis ao Governo central foram detidos. A maioria deles foi executada posteriormente ou deportada. A data é, desde então, para os armênios de todo o mundo, o dia comemorativo do genocídio armênio.

Deportação
Em 26 de maio de 1915, uma lei especial autorizou a deportação dos armênios por razões de segurança interna, seguida no dia 13 de setembro de uma lei que ordenou o confisco de seus bens.

A população armênia de Anatólia e Cilicia foi condenada ao exílio nos desertos da Mesopotâmia. Muitos armênios morreram no caminho ou em campos.

Inúmeros armênios foram queimados vivos, afogados, envenenados ou vítimas do tifo, segundo informações de diplomatas estrangeiros e agentes secretos da época.

O embaixador americano no Império Otomano, Henry Morgenteau, descreve em um documento diplomático ao Departamento de Estado uma “campanha de extermínio racial sob o pretexto de reprimir a rebelião”.

Volta para casa
Em 30 de outubro de 1918, o Império otomano se rendeu às forças da Tríplice Entente (Grã-Bretanha, Rússia e França). Um acordo sobre o armistício permitiu então que os armênios deportados voltassem para casa.

Em fevereiro de 1919, um tribunal militar de Constantinopla declarou vários funcionários otomanos de alto escalão culpados de crimes de guerra, incluindo contra os armênios, e os condenou à morte.

O Império Otomano foi desmantelado em 1920, dois anos depois de criado um Estado independente armênio, em maio de 1918, logo absorvido pela União Soviética. O Estado turco moderno foi fundado 1923 por Mustafa Kemal Atatürk.

Versões contraditórias
Os armênios estimam que 1,5 milhão dos seus foram assassinados de forma sistemática ao fim do Império Otomano.

A Turquia, por sua vez, fala de uma guerra civil, à qual se somou uma fome, e de 300 mil a 500 mil armênios que perderam a vida, além de outros tantos turcos.

Em abril de 2014, o atual presidente, Recep Tayyip Erdogan, então primeiro-ministro, deu um passo inédito ao apresentar suas condolências pelas vítimas armênias de 1915 sem, no entanto, deixar de refutar qualquer vontade de extermínio.

“Este governo fez mais do que todos os anteriores para derrubar os tabus da fundação da República, mas infelizmente foi detido em pleno movimento”, estima Cengiz Aktar, professor de Ciência Política da universidade privada Sabanci de Istambul.

Em 2000, 126 especialistas, entre eles o Nobel da Paz Elie Wiesel, o historiador Yehuda Bauer e o sociólogo Irving Horowitz, afirmam em um comunicado publicado pelo jornal “The New York Times” que “o genocídio armênio na Primeira Guerra Mundial é um fato histórico inquestionável”.

“A deportação armênia é uma verdadeira tragédia”, reconhece Ilber Ortayli, professor de História na Universidade Galatasaray de Istambul, e pede que os historiadores dos dois países se ocupem desta questão e estudem ponto por ponto este período da história turco-armênia para “ir ao fundo da questão”.

Atualmente, 20 países reconhecem o genocídio armênio, incluindo França, Rússia e Chile, assim como o Parlamento Europeu.

Em 2008, o candidato Barack Obama prometeu reconhecer o genocídio armênio. Uma vez eleito, o presidente americano nunca utilizou este termo.

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