Os primeiros passos rumo à democracia
Aos poucos, alguns países do continente deixam de ser regimes autoritários e dão voz ao povo
Na semana passada, os quenianos aprovaram uma nova Constituição que promete mudar profundamente o funcionamento da política do país. Assim como grande parte da África, conhecida pelas longas e sanguinárias ditaduras, o Quênia era dominado pela corrupção e por regimes que se perpetuavam no poder. Agora, o presidente terá poderes mais limitados, e os cidadãos, mais liberdade.
A recente conquista queniana, porém, não ocorreu sem cobrar seu preço. O desejo da população por democracia resultou em uma onda de violência com mais de 1,3 mil mortos em 2007, quando o presidente Mwai Kibaki não aceitou a derrota nas urnas – em um pleito histórico – e continuou no poder, gerando uma revolta popular. Nas próximas eleições, segundo a nova Constituição, ele nem sequer poderá concorrer à reeleição.
– Finalmente, os quenianos decidiram que a velha ordem tem de virar história. A era da presidência imperial e da ditadura parlamentar deve ser deixada para trás agora. Sinto apenas alegria pelo meu país – comemora o queniano Jerry Okungu, em artigo no site The New Vision.
É assim, aos tropeços, que a África – já tida como um caso perdido – tem vivido uma onda democrática. E não é somente o referendo constitucional no Quênia – no mesmo continente onde antes predominavam os golpes de Estado, agora são as eleições que estão se tornando comuns, dando ao povo a voz que por tanto tempo lhe foi negada.










