Arquivo para a categoria 'Índia, Nepal e Butão – Abril 09'

26/04 – Domingo – 29º dia

Uma longa viagem de volta. As 7h30 já seguíamos para o aeroporto de Dubai, e nosso avião decolou as 10h40 para longas 14h de vôo diurno, onde o tempo parece não passar. Depois de assistir 5 filmes posamos em SP onde após 4 horas de espera finalmente embarcamos para Porto Alegre. Chegando em casa mais alguma horas para desfazer as malas e conferir que minhas estátuas chegaram intactas. Após um mês de viagem pela Índia dos marajás, pelas cordilheiras do Nepal, mundo mágico do Butão e o contemporâneo Emirados, e com mais de 24hs acordado cai no sono – e sonhei com alguns desses lugares encantados que o planeta Terra nos brinda.

Até a próxima.
Beto Conte

25/04 – Sábado – 28º dia

Saímos cedo para Abu Dabhi. Nossa guia, Cristina, ex-funcionária da Varig cujo marido é comandante da Emirates, nos deu um ótimo insight sobre a vida em Dubai e as rápidas transformações que acontecem. Seguimos para o emirado vizinho, Abu Dabhi, que compete positivamente com Dubai pela primazia dos EAU. Abu Dhabi tem 90% do petróleo dos Emirados com reservas por mais meio século, e também um grande canteiro de obras investindo em um futuro próspero mesmo sem o ouro negro.

Visitamos a 3ª maior mesquita do mundo – na entrada da cidade e a ser inaugurada este ano. A mais cara construção religiosa do mundo islâmico já é um marco para o Oriente Médio. Seguimos para o Emirates Palace – o Hotel 7 estrelas de Abu Dhabi para competir com o de Dubai. Para entrar no clima da extravagância provamos um capucchino e uma torta de pistache, ambos salpicados de ouro em pó. Coisas dos Emirados, onde tudo tem de ser over.

Falando em over, o projeto da península Sadya é mais um super projeto em andamento – um pólo cultural com o museu Gugenhein, Louvre, de “performing arts”e marítimo – todos projetados pelos maiores arquitetos da atualidade.

No retorno a Dubai paramos no shopping Ibn Batuta – em homenagem ao famoso viajante Marroquino que no sec. XIV percorreu por quase 3 décadas todo o mundo islâmico de então – da Andaluzia ä península Malaya – com longa estada no sultanato de Dehli e chegando ate a China. Um personagem que sempre me instigou que estou relendo sua biografia. Dormi com as janelas abertas aproveitando a visão do movimento de barcos no Creek.

24/04 – Sexta-feira – 27º dia

late wake up. Passeio de barco pelo creek – avistando os modernos skyscrapers de Dubai ao fundo e os souqs da parte antiga ás margens desse braço de água do mar Arabico. Day tour pelos pontos de interesse da cidade. Começamos o passeio pela casa do Sheik Mohammed bin Rashid al-Maktoum’s, o emir de Dubai desde 2004. O Emirados Árabes Unidos, estabelecido em 1971 é uma federação de 7 emirados – Abu Dhabi (capital), Dubai, Sharjah, Ajman, Fujairah, Umm A;-Quwain e Ras Al-Khairmah. O emir de Abu Dabhi é o presidente do país e o de Dubai o vice-presidente.

Vocês tem visto bastante Dubai em função da novela da Globo Cia das Índias onde um casal deu o golpe e se escondeu por aqui. Dubai é um enorme shopping Center, e por isso sofrendo com a desaceleração do consumo com a crise mundial. Mas os grandes projetos continuam, apenas em ritmo menos acelerado. Em breve fica pronto o maior edifício do mundo – o Burj Dubai com seus 818 metros, quase duplicando o 2º colocado. A população de Dubai é de 1,7 milhões de habitantes, sendo apenas 18% desse total da população local – que vive de rendas pois ate o ano 2000 nenhuma propriedade podia pertencer a estrangeiros. Mesmo hoje qualquer empresa tem de ter 50% de participação local, exceto na zona livre. Os homens desmotivados pela falta de desafio abrem espaço para as mulheres – que constituem 70% da população universitária. Mais educadas e com poder econômico devem no futuro modificar sua condição na sociedade. Além do turismo, o interesse de Dubai é tornar-se um centro acadêmico, comercial e de serviços para o Oriente Médio, África Oriental e Sub-continente Indiano. A elite do mundo islâmico tende a migrar seu consumo da Europa e USA, onde não é mais bem vinda, para os Emirados Árabes. Visitamos a Medinah Souk Jumeirah – um belo complexo de lojas e hotéis a beira-mar reproduzindo um souk do passado – onde retornamos para jantar no Arabian Nights a noite. O Burj AL Arab, aquele hotel 6 estrelas em forma de vela, e o Jumeirah em forma de onda, foi a extravagância a ser visitada a seguir.

De volta ao centro o mujseu äs margens do Creek em um forte onde começou o povoamento no sec. XIX, mostra as incríveis transformações urbanas do pequeno porto ate os anos 70 ã dinâmica cidade atual – que projeta atingir 6 milhões de habitantes ate 2017 – apostando em receber cada vez mais empresas e profissionais qualificados do mundo todo.

Interessante conhecer Dubai – uma terra de areia até metade do sec. XX que aproveitou o petróleo descoberto no final dos anos 60 para desenvolver toda essa infraestrutura hoteleira e comercial, alem das zonas livres, que vai manter riqueza no emirado quando o petróleo terminar em 2012. Alem disso Dubai só tem 6% do petróleo dos EAU pois a maior parte esta em Abu Dhabi. Logo, concluo que apesar de artificial, trata-se de um grande plano estratégico e de marketing que esta dando certo. Uma Disney em grande escala no Oriente Médio.
Amanhã conto + de AbuDhabi.

23/04 – Quinta-feira – 26º dia

Voltamos a Paro onde recolhemos a bagagem e segumos a Dehli – onde outra mala nos aguardava. Não sou ligado em shopping centers mas aqui na Ásia não resisto as atrações dos baazares – desde panos étnicos a relíquias religiosas – me fascinam.

Escrevo mais quando chegar a Dubai.

22/04 – Quarta-feira – 25º dia (Full day Thimphu sightseeing)

Já acordei ansioso por ser o último dia no meu querido Butão.

Começamos visitando o mosteiro de monjas Zilukha que tem como padroeiro o santo que construiu 108 pontes de correntes de ferro nos Himalaias. Passamos pelo condomínio onde serão instalados todos os ministros e demais autoridades do país, um esquema para otimizar o sistema de segurança, e de controle. Seguimos ao Sangaygang view point no topo da montanha com vista da cidade onde observamos o Beverly Hills local – as casas do antigo rei e de suas rainhas distribuídas pela colina.

Na descida parada para observar o Takin, o animal nacional do país, uma masala (mistura) de anta com cabrito e bovino – interesting but quite ugly. Continuamos com visita ao Changankha Lhakhang – um mosteiro dedicado as crianças. Muito legal o instituto de medicina tradicional baseado em ervas das montanhas. 40% da população utiliza o sistema governamental de consultas e farmácia pública utilizando a ciência tradicional, e para os demais casos utilizando a medicina alopática.

Continuamos por um atelier de prata e papel artesanal.

Após o almoço as últimas compras de estatuária budista, livros e CDs.

Jantamos aqui no Taj – um otimo jantar Butanês – com momo, beringela e arroz vermelho, regado a um bom vinho … chileno.

Ao longo do jantar o entusiasmo de todos por este pequeno reino perdido no meio das montanhas dos Himalaias. O esforço da monarquia local em manter as tradições desse povo intimamente ligado a religião budista, seguindo a tradição Drukpa que fortalece a identidade nacional,

ao mesmo tempo que busca o desenvolvimento social, econômico e político, sempre resguardando o meio ambiente e a cultura. Nosso desejo é que consigam conciliar isso tudo para que o Butão continue sendo o meu Shangri-lá.

21/04 – Terça-feira – 24º dia (Punakha/Thimphu)

Acordamos e seguimos em direção a metrópole desse país de apenas 650.000 habitantes. Com mais de 70% de população rural, a capital Thimphu com mais de 100 mil habitantes é a maior concentração urbana.

Visitamos o Zorig Chusum (Instituto de artes tradicionais) um escola técnica onde jovens desenvolvem seus talentos no entalhe em Madeira, na escultura em argila, pintura e tecelagem. Uma forma de manter as tradições artísticas e qualificar a mão de obra para preservar os templos, fortes e as construções tradicionais Butanesas.

Na National Library milhares de textos sagrados manuscritos e dos primórdios da tipografia local. Jantar típico Butanes e dormir para aproveitar o último dia nesse reino encravado na cordilheira dos Himalaias.

Amanhã conto o resto.
1 abraço

20/04 – Segunda-feira – 23º dia (Punakha / Wangduephodrang / Punakha)

Dia bem atlético com um hike, atravessamos plantações de trigo, hortas de chillies e pomares escalonados em terraças, ate o templo Khamsum Yule Chorten – uma estufa em 3 níveis com impressionantes pinturas tântricas. O mais marcante no Butão é que todo local religioso que visitamos era ativo com monges fazendo suas praticas.

Seguimos depois ate o povoado de Wangduephodrang com um dos mais dramáticos Dzong – no topo de uma montanha – com seu teto original.

Na volta caminhada por entre os campos ate o mosteiro Chimi Lhakhang no povoado de Lobesa, templo da fertilidade construído no sec. XV pelo intrigante “divine madman” – santo local ligado a álcool e mulheres.

Breve historia do Butão

No sec. VIII Padmasambava introduz na região o Budismo.

No sec. XVII o renomado monge Zhabdrung Rinpoche propaga no Bhu-Than (Terras Altas em sanscrit) a linha Drukpa do Budismo. Atacado por lamas de outras linhagens, vence os sucessivos adversários e vira autoridade suprema no Butão e inicia a construção de mosteiros fortificados, Dzongs, para resistir futuros ataques, unificando o país. Após a morte de Zhabdrung, o Butão se desintegra em pequenos reinos.

No inicio do sec. XX Ugyen Wangchuck, soberano de um pequeno reino, se alia aos Britânicos, unifica novamente o país e implanta a monarquia hereditária que permanece ate hoje. Em 2008 assume o poder o 5º rei dessa dinastia que conduz o país a democracia implantando uma monarquia constitucional. O símbolo e nome local do país é Druk, que significa dragão, reforçando a imagem mágica do Butão.

19/04 – Domingo – 22º dia (Paro/Punakha)

A primeira parte da viagem é relativamente plana com a estrada cortando a base do vale, acompanhando o rio Pachu, com montanhas dos dois lados. Após Thimpu o percurso vai ficando mais íngreme, com curvas sucessivas envolvidas pela floresta decorada com rododentros e magnólias. No Dochula pass a neblina deixava + místico o cenário das montanhas que culminavam com um complexo de 108 stupas.

Chegando em Punakha, seguimos para seu magnífico Punakha Dzong – mosteiro fortificado estrategicamente situado no encontro de 2 rios e cercado por jacarandás floridos. D+, como escreveria minha sobrinha Camille.

Com certezas havia chegado ao reino perdido de Shangri-lá.

Imagine atravessar uma ponte coberta de madeira para chegar a um imenso forte quase ilhado, branco e terracota, com tetos dourados, e pilares e aberturas ricamente entalhadas em madeira. Figuras míticas pintadas na fachada resguardam a entrada, descalços passamos pelos cilindros e bandeiras de orações para penetrar em um outro mundo. Monges jovens em trajes bordo esvoaçantes circulavam pelos pátios e corredores, raios de sol encontravam brechas no céu encoberto para colocar em destaque a estrutura de madeira entalhada e multicoloridas em das sacadas e entradas. Seguimos os cânticos ate um dos templos onde acontecia uma “puja” cerimônia religiosa budista – os monges recitavam os mantras acompanhando os instrumentos cerimoniais de percussão e sopro. Em outro templo estatuas imensas de Buda, Phadmasambava e Zhabdrung, e nas laterais estatua menores dos 69 Je Chempo – lideres religiosos desde a unificação do país no sec. XVII.

18/04 – Sábado – 21º dia

Deixei a janela aberta para acordar com o sol surgindo sobre o vale de Paro. No café da manha continuei com o mesmo cenário de um vale cortado pelo rio Pa Chu, a fortaleza e as montanhas ao fundo. Seguimos para um dos highlights do país – o Taktsang Monastery construído no topo de um penhasco rochoso de 900m. Trata-se de um local sagrado, pois acredita-se que neste local no sec. VIII Padma Sambhava, divindade reverenciada que introduziu o budismo no Butão, domino demônios locais.

O trajeto até o mosteiro começa por uma trilha que vai ficando cada vez mais inclinada por um bosque de coníferas. Conforme chegávamos mais perto começava a despontar por entre as árvores o mosteiro lá no alto, pendurado no maciço rochoso. Após 2 horas de caminhada se chega ao topo de uma montanha de onde se pode admirar no penhasco em frente os telhados dourados, as paredes de rocha pintadas de branco e as aberturas em madeira ricamente pintadas. Mais uma meia hora descendo uma escada de pedra cortada na montanha e subindo do outro lado chegamos ate o reverenciado mosteiro. Construído no sec. XVII pegou fogo no final do sec. XX, restaurado e consagrado pelo rei em 2006.

Visitamos a caverna onde Padma Shambava teria meditado por 3 meses e um templo com a estatua dele onde acontecia uma “puja” (cerimônia de oferendas) – sentei na posição de lótus, fechei os olhos, e ao som dos mantras dos monges, o aroma dos incensos e as coloridas imagens das divindades nas paredes fiquei sentindo a energia do local. Terminamos o dia visitando as ruínas do Drugyal Dzong que teve um importante papel na defesa do vale de Paro das invasões tibetanas, e uma casa rural local. O forte Paro Dzong estava ainda mais imponente na luz do final dia, e não tinha como confirmar que este reino nos Himalaias, com sua cultura preservada, a espiritualidade de seu povo, a tranqüilidade e imponência da sua natureza, e a arquitetura peculiar – majestosa dos fortes e mosteiros – e harmônica das construções rurais, trata-se de um lugar único.

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