Arquivo para a categoria 'Grand Tour Oriente Médio 2011'

Um novo Ano inicia – 1390!

No dia 21 de março os Persas comemoraram o Noruz – o ano novo – com a entrada da primavera do Hemisfério Norte.

Celebrado desde a época dos aquemênidas até hoje no Irã é utilizado o calendário solar zoroastra.

Comprei um calendário em Teheran pois é tudo diferente – hoje é o dia 2 do primeiro mês do ano de 1390 (adotado como ano zero a ida de Maomé de Mecca a Medina em 622, quando inicia a propagação do islã).

Feliz ano novo!

A vibração da juventude a conduzir para novos tempos

Sob o chador se esconde a alma persa

Sob o chador se esconde a alma persa

Seguem mais algumas poesias de Omar Khayyām para sua reflexão matinal. Sugiro deixar a parte etílica para o Happy Hour do final do dia. Incrível a atualidade dos pensamentos mil anos após terem sido escritos. Ainda mais interessante que Khayyam continua a ser reverenciado pelos iranianos apesar de seus temas de tolerancia religiosa e exaltando o prazer à vida. Sob o chador se esconde a alma Persa.  1 abraço e um Bom Dia!

O que vale mais? Meditar numa taverna,
ou prosternado na mesquita implorar o Céu?
Não sei se temos um Senhor,
nem que destino me reservou.

Olha com indulgência aqueles que se embriagam;
os teus defeitos não são menores.
Se queres paz e serenidade, lembra-te
da dor de tantos outros, e te julgarás feliz.

Alcorão, o livro supremo, pode ser lido às vezes,
mas ninguém se deleita sempre em suas páginas.
No copo de vinho está gravado um texto de adorável
sabedoria que a boca lê, a cada vez com mais delícia.

Cristãos, judeus, muçulmanos, rezam,
com medo do inferno; mas se realmente soubessem
dos segredos de Deus, não iam plantar
as mesquinhas sementes do medo e da súplica.
Um jardim florido, uma bela mulher, e vinho.
Eis o meu prazer e a minha amargura,
o meu paraíso e o meu inferno.
Mas quem sabe o que é Céu e o que é Inferno?

A vida passa. O que resta de Bagdad e Balk?
A aragem mais leve é fatal à rosa já desabrochada.
Bebe o vinho, e contempla a lua:
lembra-te das civilizações que ela já viu morrer

1 abraço. Beto

Reflexão persa para começar o dia

Foi bem legal a nossa apresentação ontem sobre o Irã no STB BRASAS. Peguei a idéia de nosso guia Alireza e declamei algumas poesias de Omar Khayyām que seguem abaixo:

Omar Khayyām – (Nishapur, Pérsia, 10481131), poeta, matemático e astrônomo iraniano.
Khayyām calculou como corrigir o calendário persa.
Como poeta é conhecido pelos Rubaiyat (em português, “quadras” ou “quartetos”), que ficariam famosos no Ocidente a partir da tradução de Edward Fitzgerald, em 1839.  Seguem alguns para refletirmos em como continuam atuais quase 1.000 anos depois.

Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.

Apanha um grande copo cheio de vinho,

senta-te ao luar, e pensa:

Talvez amanhã a lua me procure em vão.
Que pobre o coração que não sabe amar

e não conhece o delírio da paixão.

Se não amas, que sol pode te aquecer,

ou que lua te consolar?
Ouve o que a Sabedoria diz todos os dias:

A vida é breve.

Não te esqueças, não és como certas plantas

que rebrotam depois de cortadas

  • Somos os peões deste jogo do xadrez

que Deus trama. Ele nos move, lança-nos

uns contra os outros, nos desloca, e depois

nos recolhe, um a um, à Caixa do Nada.

bom dia! Beto

O refinamento e delicadeza da arte persa

A situação na Jordânia

Em fevereiro passamos uma semana na Jordânia, onde os tumultos na região refletiam localmente. Nosso guia reiterava que a situação no país era diferente, pois o rei Abdullah II tinha apoio popular. Enquanto desfrutávamos das belezas de Jerash, Petra e Wadi Rum acompanhávamos as discretas manifestações em Amman – sede do poder.  Confira abaixo matéria da ZH de hoje com a análise da situação na Jordânia pelo olhar de um gaúcho que está por lá.

Gaúchos no olho do furacão árabe. Uma densa atmosfera de contestação cobre o mundo árabe – e já levou à queda dos ditadores da Tunísia e do Egito. O mau tempo se concentra atualmente sobre a Líbia e ameaça o líder Muamar Kadafi. Chuvas e trovoadas são observadas com menor intensidade nos vizinhos Marrocos, Argélia, Jordânia e Bahrein. Em entrevista a Zero Hora, sete gaúchos, que estiveram ou permanecem nesses países, contam como está a situação e relatam o sentimento do povo em relação a seus líderes.

Beto em Wadi Rum

Egito pós-Mubarak

Partimos para o Oriente Médio no início de fevereiro, com a região já em pleno tumulto. Acompanhamos com apreensão via BBC o desenrolar das revoltas no Egito, país que havíamos visitado no detalhe em 2008,  que culminou com a queda de Mubarak .

Segue link de uma matéria do caderno cultura da ZH de ontem, que analisa a situação geral atual do país e de hoje sobre a questão específica do seu imenso legado arqueológico: http://bit.ly/g6xsEH

“O arqueólogo mais conhecido do Egito, Zahi Hawass, pediu na sexta-feira demissão do cargo de ministro de Antiguidades e afirmou que aumentaram os saques a sítios arqueológicos do país desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro. Segundo o especialista, mais de 20 sítios arqueológicos em todo o país foram saqueados desde a saída do ditador. Hawass exortou os jovens ativistas a ajudar na preservação desse patrimônio.”

Uma imagem que fica

Passamos 3 dias em Esphahan – a maior parte do tempo desfrutando desta praça projetada por Shah Abbas lá no início do século XVII e que continua nos encantando até hoje.  Fascina pelo conjunto harmonioso e riqueza dos detalhes. Os jardins e fontes circudandos por um bazar com o melhor da artesania local – tapetes, pinturas em miniaturas, machetaria, bandejas e lâmpadas em bronze…e se destacando palácio e mesquitas em cada lateral dessa praça magnífica.

Além disso tudo, a suavidade e simpatia do povo iraniano sempre com um sorriso ingênuo e sábio - uma experiência visual e afetiva inesquecível.

A praça de Esphahan é um local de se deixar ficar

Acordar em POA

Muito estranho acordar em casa depois de 30 noites no Oriente Médio casa alguns dias em local diferente. É super instigante mergulhar em outras culturas, idiomas, culinárias, cenários naturais e urbanos inusitados…mas como é também muito bom voltar ao familiar, conhecido, onde nos sentimos verdadeiramente em casa. Nada como o “lar doce lar” .

Passei a manhã desfazendo as malas, e a cada objeto, livro, folheto, presente, prato, tapete…tantas boas lembranças.  Acordei entre a Fenícia e a Pérsia, conversando com Zenobia e Ciro, filosofando com Zarastruta e sufis islâmicos, atravessando desertos ou simplesmente se deixando ficar na praça de Esphahan. Tantas imagens tão marcantes e tocantes. Muito bom se sentir lá e aqui!

Na sexta-feira, o dia livre e religioso semanal, as gurias aproveitam para colocar as notícias em dia

Chegamos no Brasil

Após um mês circulando pelo Oriente Médio – em momento histórico de transformações políticas – estamos de volta ao Brasil.

Ao longo da viagem só sorrisos, apesar das notícias que acompanhávamos pela CNN/BBC.

O Grand Tour STB Oriente Médio se despede do Irã

Até breve, Pérsia!

Um dia intenso em Teheran. Começamos com um STB “Caras” tour do palácio do Shah deposto do Irã.

Palácio Pahlevi

Visitamos a casa onde Mohamed Reza Pahlavi e Fara Diba viveram os últimos 13 anos até a revolução islâmica de 1979 depor a monarquia. Fara era a 3ª mulher do soberano, que ele conheceu quando ela era estudante de belas artes em Paris e que decorou o palácio com o melhor da Europa aliado a elementos decorativos locais do período Qajar do século XIX. No mesmo complexo, a casa de festas privadas.

Fara Diba e filhos

Seguimos para o museu dos Tapetes, onde conferimos a beleza desta arte milenar com os padrões, cores e qualidade específicas de cada região do país.

Após o almoço no museu Arqueológico, um fantástico baixo-relevo em pedra de Xerxes e o príncipe herdeiro – que acabou assassinando o pai e depois também assassinado – e em função disso, o mural de pedra foi removido do palácio de Persépolis e abandonado so sendo redescoberto no século passado.

Réplica do tapete mais antigo do mundo

Uma exposição temporária com o cilindro de Ciro, cedido pelo British Museum, com o primeiro registro de direitos humanos – a liberação do povo judeu da Babilônia, para onde havia sido levados como escravos por Nabucodonosor. Após a conquista Persa Ciro os libertou e proporcionou o retorno à Judéia e reconstrução do templo. No império persa havia libertade de culto e manutenção de reis locais sob sua proteção.

Após o museu da cerâmica e o livro, um tempo livre para circular pelas arborizadas avenidas da capital iraniana –  sorvete de açafrão e pistachio em um esquina e compra de calendário persa e cartões na livraria em frente.

Um jantar super especial de despedida desse país maravilhoso onde mais uma vez comprovamos a gentileza e hospitalidade do povo persa.

Apesar de ser o país do preto: preto do Chador das mulheres, bandeiras de luto religioso, e de suas riquezas – petróleo e caviar, o Irã também é conhecido como Golestan – Terra das Flores, renomado por seus tapetes e o refinamento dos mosaicos cerâmicos das mesquitas. O  país do  conservadorismo islâmico shiita é também aquele onde são heróis nacionais seus grandes poetas como Omar Cayhan.

Todo o carinho das iranianas

O sorriso singelo e hospitalidade iraniana são tocantes, com o cinema iraniano expondo todo esta sensibilidade nas belas obras de Abbas Kyurastani e Moshe Makalbahk.  A suavidade de um povo que contrasta com o rigor de um regime.

Carinho iraniano

A simpatia e carinho do povo iraniano nos acompanharam ao longo de toda viagem.

A gaúcha Ilane Bratz com seu fã-clube em Esphahan

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