
A Medina de Tripoli
Tenho acompanhado o desfecho da situaçao do Ghadafi que me remete ao período que estive na Libia em 2006. Na época conversei muito sobre a situação do país e seu lider com um amigo da embaixada brasileira em Tripoli.
Seguem minhas impressões da época:
LIBIA – de Septimus Severo a Ghadafi
Estive em 2006 na Líbia. Foi muito interessante pois já conhecia os seus vizinhos – Tunísia com sua ótima estrutura turística e Egito com toda herança dos Faraós do outro. Tinha muita curiosidade em conhecer a Líbia, pois era um daqueles países em que seu nome já incita nossa imaginação com as imagens do Coronel Ghadafi, regime islâmico e socialista, envolvimento em atentados, deserto e petróleo. Jamais nos lembramos da Líbia como um país Mediterrâneo com um impressionante legado greco-romano. Como tinha um amigo em cargo diplomático por lá aproveitei para desvendar um pouco mais do país
ANTIGUIDADE
A Líbia foi uma grande surpresa para mim. Já havia visitado as ruínas de Carthago e romanas na vizinha Tunísia, mas não sabia que a primeira colônia grega foi instalada em Cirene na costa leste da Líbia no séc. VII AC. Além de templos gregos a Líbia também conserva ruínas púnicas e cidades romanas completas como Leptis Magna.
LEPTIS MAGNA
O imperador Septimus Severo, que governou o Império Romano no início do séc III, nasceu na atual Líbia. Ele transformou sua cidade natal, Leptis Magna, em uma das mais majestosas do império. Uma cidade que representava uma ideologia – o poder de Roma – e as glórias de seu mais famoso cidadão.
HISTÓRIA
Em função de sua posição estratégica entre as rotas do deserto e os portos Mediterrâneos, e entre o Egito e o Maghreb, a região foi alvo de invasões e dominações estrangeiras ao longo de toda sua história – após os Romanos, Vândalos e Bizantinos estiveram por lá. A invasão árabe vai ser determinante nos costumes, idioma e islamização da região. O império Otomano também vai dominar o norte da África por 300 anos, e com sua queda, segue meio século de colonização italiana. Depois de um curto período de monarquia, desde 1969 o país viveu a “era Ghadafi”.
RECURSOS NATURAIS
Após 15 anos de bloqueio econômico a Líbia abriu em 2005 suas portas para o capital e tecnologia externa se aproximando dos USA. Com uma das maiores reservas de petróleo do mundo com potencial de produção de 3 milhões de barris de petróleo de alta qualidade por dia. Na época registrei em meu diiário que valeria a pena acompanhar para onde Ghadafi conduziria seu país. A Líbia – árabe, islâmica e rica em petróleo – tinha tudo para permanecer no palco dos acontecimentos globais. E está. Desde o inicio 2011 o mundo acompanha a insurreiçao popular que levou ao fim da era Ghadafi.

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